Sábado, 19 de Junho de 2004

Crónicas Barcelonistas 12 –Tirem-me deste taxi

As viagens de taxi são sempre uma aventura. Apanham-se sempre uns taxistas muito interessantes a conduzir, uns autênticos Pachecos Pereiras do volante, uns verdadeiros e mal aproveitados “Opinion makers” das estradas.
O jornal Expresso anda a pagar balurdios a colunistas, quando poderia apenas colocar apenas uns estagiários quaisqueres a ouvir estas “pieces de resistence” que os taxistas nos vão dando o prazer de partilhar, quer queiramos quer não.
Tenho tido um azar do caraças, aos Domingos à ida para Barcelona, tenho apanhado quase sempre o mesmo taxista, já é para aí a quarta vez. Acho que tenho de mandar vir um taxi de outra companhia de radio taxis. Para a próxima acho que vou ligar os Radio Taxis de Fernão Ferro ou de Celorico da Beira, deve ficar mais caro, mas porra, nem que eu pague a diferença, pode ser que assim não volte apanhar aquele tipo.
À hora combinada com a menina da companhia de radio taxis, lá estaciona ele o Taxi à porta da minha casa e quando me vê a sair diz alegremente - Boas tardes senhor, já o levei na semana passada não foi? – Sim - digo eu, com um sorriso alegre e bem disfarçado, de forma a que não transpareça nem o meu desalento nem o meu repentino desejo de ir a pé até à Portela de Sacavém.
Então lá começa outra vez com as suas elaboradíssimas opiniões e teorias sobre tudo o que se lembra: O estado do País que anda numa miséria como nunca, dos Portugueses que são uns calões que andam por ai e que não fazem nenhum, das fugas dos ricos aos impostos, etc, etc, etc.
- Eu não tenho partido nenhum. – diz ele.
- “E eu não tenho culpa nenhuma” – Penso eu.
- Anda o senhor a trabalhar lá fora como eu fiz quando era novo, e esta malta aqui não faz nenhum – continua ele depois ter descoberto que eu estava a trabalhar fora de Portugal.
- É verdade, é verdade – lá vou eu dizendo ao mesmo tempo que penso - “tirem-me deste filme”, ou neste caso “tirem-me deste taxi”.
- Pois é como lhe digo, eu não tenho partido nenhum, para mim é o mesmo, quer antigamente o Salazar quer agora o PS ou o PSD. É a mesma coisa, ninguém me dá nada, se não for eu a trabalhar. Bem o Portas parece que quer aumentar as pensões. Mas isto dão de um lado tiram de outro... bla, bla, bla.
Lá continuou ele falando e falando. O pior é que em cada viagem tenho ouvido repetidamente sempre as mesmas teorias e opiniões, lá acrescenta mais uma ou outra coisita que se esqueceu de mencionar na viagem anterior, mas basicamente é sempre o mesmo. Já conheço os problemas que ele teve com um antigo empregado, um calão qualquer (segundo ele), sobre o sócio que fez não sei bem o quê, sobre o Estado o andar sempre a gamar os contribuintes, sobre os taxistas não ganharem nem para o carro. Xiça, se volto a apanhar este fugareiro de novo acho que me atiro pela janela do taxi a fora. SOCORRO.
publicado por dancewalker às 15:43
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